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Como funciona

Como funciona a cotação de seguro com um corretor (passo a passo)

O que acontece nos bastidores entre o seu 'quero cotar' e a proposta na mesa: levantamento do risco, ida ao mercado, comparação técnica de coberturas e cláusulas, recomendação, emissão e apoio no sinistro — passo a passo, sem mistério, e por que o corretor em regra não encarece o seguro.

Por Guilherme Vieira Meyer, corretor de seguros (SUSEP nº 222134993) · · Atualizado em

Você pede uma cotação de seguro e, dias depois, recebe uma proposta. O que aconteceu no meio? Para a maioria das pessoas, cotação é uma caixa-preta: entra um “quero cotar”, sai um número. E como o único elemento visível costuma ser o preço, é natural achar que cotar é sinônimo de “pedir preço” — e que quem cota em mais lugares, ou por conta própria, sai na frente.

Entender o que de fato acontece nesse caminho muda a forma como você cota. Explica por que duas “cotações do mesmo seguro” podem chegar tão diferentes, por que o corretor pede tanta informação, por que a proposta mais barata nem sempre é a melhor compra — e por que, na estrutura brasileira, contar com um corretor em regra não custa mais caro do que fazer tudo sozinho. Este guia abre a caixa-preta de ponta a ponta.

O que é, de fato, cotar um seguro (e o que não é)

Cotar não é pedir preço. Cotar é traduzir um risco da vida real para a linguagem que o mercado segurador precifica e trazer de volta as condições em que esse risco pode ser transferido — quanto custa, o que fica coberto, o que fica de fora, com que limites e sob quais regras.

A confusão nasce de tratar seguro como uma commodity, tipo combustível: se o produto fosse idêntico em todo lugar, só o preço importaria. Mas seguro não é idêntico. Duas apólices com o mesmo nome — “seguro empresarial”, “RC profissional”, “seguro de equipamentos” — podem cobrir coisas diferentes, excluir coisas diferentes, ter franquias e limites diferentes e se comportar de formas opostas no dia do sinistro. Comparar só o preço de dois produtos que não são a mesma coisa é comparar duas fotos pela moldura.

Por isso a cotação bem-feita produz três entregas, não uma:

  • Preço — o prêmio que você paga;
  • Escopo — o que exatamente está sendo comprado (coberturas, limites, franquias, exclusões, cláusulas);
  • Recomendação — qual das opções faz mais sentido para o seu risco, e por quê.

Quando falta a segunda e a terceira entrega, você não cotou um seguro: você coletou preços de produtos que talvez nem sejam comparáveis. O trabalho do corretor é justamente garantir as três.

O corretor representa você — não a seguradora

Este é o ponto que reorganiza todo o resto. No Brasil, o corretor de seguros é um profissional habilitado e registrado na SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), e a profissão é regulada por lei própria há décadas. A figura existe por um motivo específico: colocar do lado de quem contrata alguém tecnicamente preparado para dialogar de igual para igual com o mercado.

O que isso significa na prática:

  • O corretor é autônomo em relação às seguradoras. Ele não é funcionário, preposto nem vendedor exclusivo de nenhuma companhia. Não tem a missão de “empurrar” o produto de uma seguradora — tem a de encontrar, entre as várias, a solução adequada ao seu caso.
  • O dever de assessoria é dele. Cabe ao corretor entender o seu risco, explicar as opções em linguagem compreensível, alertar para lacunas de cobertura e recomendar com fundamento. Não é um favor: é a natureza da função.
  • Ele fala a língua dos dois lados. Traduz a sua realidade (uma clínica, uma obra, uma frota, um consultório) para os termos técnicos que a seguradora precifica — e traduz de volta o “juridiquês” da apólice para o que aquilo quer dizer no seu dia a dia.

Compare com o canal direto. Quando você compra num site ou app da própria seguradora, quem está do outro lado representa a companhia — o que é legítimo, mas é o oposto de ter alguém do seu lado. E quando você mesmo monta a apólice numa tela, marcando caixinhas, você virou o seu próprio corretor — assumindo, sem preparo técnico, as escolhas que definem se o seguro vai funcionar quando você precisar dele.

Essa independência é o que dá sentido a tudo o que vem a seguir: o corretor consulta várias seguradoras porque o interesse que ele serve é o seu, não o de uma marca.

Por que o corretor, em regra, não encarece o seguro

Aqui mora o mal-entendido mais caro do mercado — o que faz muita gente “pular o corretor” achando que economiza. A intuição é razoável: se há um intermediário, alguém paga por ele, logo deve sair mais caro. Só que a estrutura do seguro no Brasil não funciona assim.

A remuneração do corretor (a corretagem) já está embutida na estrutura de preço do seguro. O prêmio que a seguradora cobra é montado contando com o custo de distribuição — e a corretagem é parte desse custo, historicamente incorporado à tarifa. Ela é paga pela seguradora, a partir do prêmio, e não cobrada por fora, como um acréscimo na sua conta.

A consequência prática desafia a intuição:

  • Comprar direto, em regra, não elimina esse custo do preço. O prêmio do canal direto não é automaticamente “o prêmio menos a corretagem”. A precificação é definida pela seguradora, e o produto direto tem a sua própria estrutura de custo (marketing, plataforma, atendimento). Não existe garantia de que abrir mão do corretor devolva a corretagem para o seu bolso.
  • Com o corretor, o mesmo custo compra muito mais. Como a estrutura de remuneração já está lá, contar com o corretor não costuma adicionar despesa — mas adiciona serviço: comparação entre seguradoras, desenho técnico da apólice, negociação de condições e condução do sinistro. Você paga, na prática, por algo de qualquer jeito; a pergunta é se recebe assessoria em troca ou não.

Vale a honestidade de uma ressalva: dizer que o corretor “nunca” encarece seria simplista. Existem produtos e canais com estruturas diferentes, e comparações precisam ser feitas caso a caso. O que se pode afirmar com segurança é que, na esmagadora maioria das situações, a corretagem não é um custo extra que você adiciona ao contratar assessoria — é um custo que existe de qualquer forma na arquitetura do prêmio. Por isso a frase que resume bem: com o corretor, você geralmente paga o mesmo e leva mais.

E há um valor difícil de medir na hora, mas decisivo depois: um seguro barato que não paga o sinistro é o seguro mais caro que existe. A economia real não está em cortar o corretor — está em contratar a cobertura certa e não pagar pelo que não protege você. É exatamente aí que a assessoria se paga.

O passo a passo da cotação

Com os dois pilares no lugar — o corretor está do seu lado e, em regra, não encarece o produto —, dá para percorrer o caminho da cotação. São seis etapas. As primeiras definem a qualidade de tudo o que vem depois.

Passo 1 — Levantamento do perfil e do risco (a etapa que define tudo)

Tudo começa com perguntas. Quem é você ou a sua empresa, o que faz exatamente, o que quer proteger, quanto isso vale, que histórico existe, que exigências pesam sobre você. Profissão e especialidade; faturamento e atividades; valores em risco; localização e características do bem; sinistros anteriores; cláusulas de contrato ou edital que impõem cobertura mínima. Parece burocracia. É engenharia:

  • A proposta é a base legal da apólice. O que for declarado ali define o que estará coberto — e o que for omitido ou dito de forma imprecisa pode virar discussão no sinistro, quando já é tarde para corrigir.
  • Com a Lei 15.040/2024, a avaliação do risco tende a se dar por questionário da seguradora. Cabe à companhia perguntar o que considera relevante — o que ajuda a proteger quem responde de boa-fé, reduzindo a margem para uma recusa baseada em algo que sequer foi perguntado. Isso não dispensa você de responder com exatidão; reforça a importância de responder bem.
  • Informação completa de uma vez é o maior acelerador de prazo que existe. Cada rodada de “faltou tal dado” atrasa a cotação e, muitas vezes, obriga a seguradora a reabrir a análise.

É também aqui que um bom corretor faz a primeira entrega real: ele não só coleta dados — ele descobre o risco que você não sabia que tinha. A cobertura que o seu contrato exige e você não contratou. O valor em risco subdimensionado que deixaria a indenização pela metade. A atividade acessória que a apólice atual não menciona. Levantamento de risco bem-feito é meio diagnóstico, meio entrevista — e determina se a apólice vai encaixar na sua realidade ou apenas parecer que encaixa.

Passo 2 — A ida ao mercado (apresentar o risco, não “pedir preço”)

Com o risco desenhado, o corretor consulta as seguradoras — mas não todas, e não por disparo em massa: as que têm apetite para o seu perfil e porte. Cada seguradora tem forças e fraquezas por ramo, tolerâncias de risco e regras de aceitação próprias. Uma é forte em equipamentos; outra, em responsabilidade civil; outra evita determinado setor. Mandar o seu risco para quem não o quer só gera recusa, ruído e demora — e uma recusa registrada não ajuda ninguém.

Direcionar bem é parte do ofício, e explica por que o corretor experiente muitas vezes chega a condições melhores do que uma consulta genérica: ele sabe para quem apresentar e como apresentar.

Em riscos maiores, esta etapa deixa de ser um pedido de cotação e vira uma apresentação técnica do risco — um dossiê com a descrição da operação, as proteções existentes (brigada, sprinklers, CFTV, planos de manutenção), a sinistralidade histórica e os valores em risco. A qualidade dessa apresentação influencia diretamente o preço e a capacidade que você consegue: um risco bem contado, com as proteções evidenciadas, é um risco que a seguradora precifica com mais confiança. Riscos grandes ou atípicos podem depender ainda de colocação facultativa — quando a seguradora divide parte do risco com resseguradores antes de assumir a apólice. Isso é normal, mas adiciona etapas e prazo, e é bom você saber quando está acontecendo.

Passo 3 — A comparação técnica de coberturas e cláusulas (onde a cotação vira consultoria)

As propostas chegam — e aqui mora a diferença entre cotar e cotar bem. O preço é a linha mais visível e a menos suficiente para decidir. Colocar só os prêmios lado a lado é o erro clássico: você acaba escolhendo a apólice mais barata sem perceber que ela é mais barata porque cobre menos.

A comparação que separa a assessoria da coleta de preços coloca lado a lado, cobertura a cobertura:

  • Coberturas e exclusões — o coração da comparação. Produtos com o mesmo nome cobrem coisas diferentes; e o que está na lista de exclusões importa tanto quanto o que está na de coberturas. Uma exclusão bem escondida transforma uma “cobertura ampla” num escopo estreito.
  • Limites (LMI) e sublimites — o Limite Máximo de Indenização geral e os sublimites por cobertura. Uma apólice pode ter um LMI alto e generoso, mas um sublimite baixinho justamente na cobertura que mais te interessa.
  • Franquias e participações obrigatórias — quanto do prejuízo fica com você em cada cobertura. Duas apólices com prêmios parecidos podem ter franquias muito diferentes, o que muda por completo quanto você recebe num sinistro pequeno ou médio.
  • Cláusulas específicas do ramo. Nos seguros de responsabilidade civil, por exemplo: os custos de defesa estão dentro ou fora do limite? Qual a data de retroatividade? Qual o âmbito geográfico? Essas cláusulas, invisíveis para quem só olha preço, decidem se a apólice vale no seu caso concreto.
  • Condições de pagamento, vigência e regras de aceitação — parcelamento, início da cobertura, condições suspensivas e vistorias eventualmente exigidas.

O resultado dessa etapa não é uma pilha de PDFs jogada no seu colo com um “escolhe aí”. É um quadro comparativo legível, no qual as diferenças que importam ficam evidentes. E é aqui, mais do que em qualquer outro ponto, que fica claro o que você compra ao ter um corretor: alguém que lê as cláusulas por você e sabe o que procurar.

Passo 4 — A recomendação fundamentada

Comparar é necessário; decidir é o que resolve. Um bom corretor não devolve a comparação e some — ele recomenda, e assume a recomendação. Qual proposta, por quê, o que ela cobre melhor, onde ela é mais fraca e o que dá para negociar antes de fechar.

A recomendação técnica nem sempre aponta para o menor prêmio. Às vezes o corretor recomenda pagar um pouco mais por uma cobertura que fecha uma lacuna crítica do seu risco; às vezes recomenda o mais barato porque, para o seu caso, o escopo é equivalente e não faz sentido pagar por sofisticação que você não vai usar; às vezes recomenda negociar — subir um limite, baixar uma franquia, incluir uma cláusula — antes de bater o martelo. O que caracteriza a boa recomendação é ela vir com o porquê, de forma que você decide de fato, com o quadro completo na mão, em vez de apenas assinar.

E há uma recomendação que só um corretor independente entrega com tranquilidade: “a melhor decisão é ficar como você está”. Se a apólice atual já cobre bem o seu risco por um preço justo, é isso que se diz. Quem representa você pode chegar a essa conclusão sem conflito de interesse.

Passo 5 — Fechamento, emissão e conferência da apólice

Escolhida a proposta, a seguradora formaliza a aceitação do risco e emite a apólice. Parece o fim, mas há um passo que muita gente ignora e que evita dor de cabeça: conferir a emissão contra o que foi combinado.

Erra-se mais aí do que se imagina. Um número de limite digitado errado, uma cobertura que ficou de fora, uma franquia diferente da acordada, um dado do bem segurado incorreto, uma retroatividade que veio na data errada. A apólice é o documento que vale — se ela não reflete o combinado, é ela que prevalece no sinistro, não a conversa da cotação. O corretor confere a emissão linha a linha, aponta divergências para correção antes de a vigência engrenar, explica em linguagem clara o que foi efetivamente contratado e deixa o mapa pronto: o que fazer — e o que não fazer — se o sinistro vier.

Guarde a apólice, as condições gerais e os dados de contato do aviso de sinistro. E, principalmente, saiba onde eles estão antes de precisar deles.

Passo 6 — Apoio no sinistro e ao longo da vigência

A cotação não termina na emissão — e é aqui que a escolha entre ter e não ter corretor cobra o preço mais alto. O seguro se prova no dia do sinistro, e esse é justamente o dia em que você menos quer estar sozinho lidando com uma seguradora.

No sinistro, o corretor conduz: orienta o aviso no prazo certo, organiza a documentação para que ela chegue completa (documentação incompleta reabre prazos e atrasa tudo), acompanha a regulação, e, se vier uma negativa, ajuda a entender se ela procede e a contestar quando não procede. Sob a Lei 15.040/2024, a seguradora tem prazo para se manifestar e a recusa precisa ser expressa e motivada — ter alguém do seu lado que conhece essas regras muda o jogo de uma negociação em que, do outro lado, há uma equipe técnica cuidando do interesse da companhia.

E, entre um sinistro e outro, a apólice segue viva. Atividade que muda, faturamento que cresce, contrato novo que exige limite maior, bem que você comprou ou vendeu. O acompanhamento — endossos no meio do caminho para ajustar a apólice à realidade, e a revisão a cada renovação — faz parte do serviço. É por isso que dizemos que corretor não vende apólice: administra a sua proteção ao longo do tempo.

Comprar direto ou online, sem assessoria: o que muda

O canal direto — site ou app da seguradora, comparadores automáticos — tem o seu lugar. Para riscos muito padronizados, de baixa complexidade e valor, comprar sozinho pode ser rápido e conveniente. Não há demonização a fazer. O que existe é uma diferença de natureza que você precisa conhecer para escolher com consciência:

  • Quem representa quem. No canal direto, quem está do outro lado representa a seguradora. Com o corretor, alguém representa você. Não é uma questão de boa ou má-fé — é de para qual lado cada um trabalha.
  • Quem faz as escolhas técnicas. No direto, você monta a apólice: decide quais coberturas marcar, qual limite contratar, como interpretar as exclusões. Se marcar errado, o erro é seu e você só descobre no sinistro. Com o corretor, essas escolhas são assessoradas por quem faz isso o dia inteiro.
  • De quantas seguradoras vem a oferta. O canal direto te mostra um produto (o da própria companhia) ou, nos comparadores, um recorte automático. O corretor consulta o mercado com apetite para o seu perfil e traz a comparação técnica, não só a de preço.
  • Quem está com você no sinistro. No direto, você aciona sozinho, negocia sozinho, contesta sozinho. Com o corretor, há um profissional conduzindo o processo do seu lado.
  • O preço, em regra, é o mesmo ou muito próximo. Como vimos, a estrutura de corretagem já está no prêmio. Então a comparação honesta raramente é “mais barato no direto × mais caro com corretor” — é “mesmo custo, sem assessoria × mesmo custo, com assessoria”.

A régua prática é a complexidade e o que está em jogo. Quanto mais o risco é único (uma empresa, uma clínica, uma obra, um equipamento caro, uma responsabilidade profissional), quanto maior o valor exposto e quanto mais o sinistro pode ser disputado, mais a assessoria deixa de ser um luxo e vira o fator que decide se o seguro vai funcionar. Um seguro de viagem simples você resolve num app; o programa de seguros de uma empresa ou a responsabilidade civil de um profissional, não.

O que ter em mãos para cotar (checklist)

A cotação anda na velocidade da informação que você entrega. Chegar com os dados organizados encurta prazos, melhora a precisão e evita o retrabalho de “faltou tal coisa”. Prepare, conforme o seu caso:

Se você é pessoa física ou profissional liberal:

  • Dados básicos e, sendo o caso, o registro no conselho de classe (CRM, OAB, CREA, CRO etc.);
  • A atividade exata que exerce — especialidade, procedimentos, se atua em nome próprio ou por PJ, onde e como;
  • O que quer proteger — a sua responsabilidade profissional, um bem específico, a sua renda;
  • Histórico — sinistros ou reclamações anteriores, processos, se já teve seguro parecido;
  • A apólice atual, se existir (é a melhor base de comparação);
  • O que motiva a cotação — uma exigência de contrato, um susto recente, uma renovação chegando.

Se você é empresa:

  • Dados cadastrais, faturamento e a descrição real das atividades (inclusive as acessórias, que costumam ficar de fora e criam lacuna);
  • Valores em risco — prédio, conteúdo, estoque, equipamentos, máquinas — com valores atualizados, não os de anos atrás;
  • Localizações, características construtivas e as proteções existentes (combate a incêndio, alarme, CFTV, controle de acesso, manutenção preventiva);
  • Sinistralidade dos últimos anos — o que aconteceu, o que foi corrigido, que medidas foram tomadas;
  • Exigências contratuais — cláusulas de contratos com clientes, editais, financiamentos e garantias que impõem cobertura ou limite mínimo;
  • As apólices vigentes e as datas de vencimento de cada uma.

Duas orientações valem para todos. Primeira: declare com exatidão, ainda que pareça desfavorável. Omitir um sinistro ou maquiar uma informação para baixar o prêmio é o pior negócio possível — barateia a cotação e encarece (ou inviabiliza) a indenização. Segunda: traga tudo de uma vez. A cotação completa é mais rápida, mais precisa e comparável entre seguradoras; a cotação fatiada anda a passos curtos e muda de base a cada rodada.

Sem certeza do que reunir? Não trave por isso. Parte do trabalho do corretor é justamente conduzir esse levantamento — você começa com o que tem, e o resto a gente pergunta na ordem certa.

Erros comuns na hora de cotar (e como evitá-los)

Alguns tropeços se repetem tanto que vale nomeá-los:

  • Comparar só o preço. O erro-mãe. Duas propostas com prêmios diferentes quase nunca têm o mesmo escopo. Compare cobertura, exclusão, limite e franquia — ou peça a comparação técnica de quem faz isso.
  • Cotar o mesmo risco em vários corretores ao mesmo tempo. Parece que amplia as opções; na prática, embaralha. Corretores diferentes podem bater na mesma seguradora, gerar propostas conflitantes e “queimar” o risco no mercado — a seguradora vê o mesmo CNPJ chegando por vários canais e fica reticente. Escolha um corretor de confiança e deixe que ele consulte o mercado por você.
  • Subdimensionar valores em risco para pagar menos. O prêmio cai, mas você planta um rombo: no sinistro, a indenização pode ser reduzida proporcionalmente à subdeclaração. Barato na entrada, caríssimo na saída.
  • Deixar a cotação para a véspera do vencimento. Tempo é poder de negociação. Renovação começada na última hora aceita o que der; começada com folga, negocia condição, limite e preço.
  • Achar que “seguro é tudo igual”. É a crença que faz a pessoa comprar pelo preço e descobrir a diferença no pior momento. Seguro não é commodity — e a cotação existe justamente para revelar as diferenças.

Quanto tempo leva — e o que acelera

Não há um prazo único, porque não há um risco único. Uma RC profissional padronizada pode sair em poucos dias. Um programa empresarial mais complexo, com vários valores em risco e cláusulas específicas, leva mais. E quando o risco depende de colocação no resseguro, some-se ainda o tempo dessa negociação.

O que você controla é o principal acelerador: a qualidade e a completude da informação. Cotação que começa com os dados todos na mesa anda; cotação que começa pela metade para a cada pergunta que falta ser respondida. O segundo acelerador é a antecedência — começar com folga do vencimento dá tempo de comparar de verdade, negociar e não fechar no susto. E o terceiro é ter um corretor que sabe para quem apresentar o risco, evitando o desperdício de tempo de bater em seguradoras sem apetite para o seu perfil.

Como escolher (e o que perguntar ao seu corretor)

Se o corretor é quem representa você, escolher bem importa. Algumas perguntas ajudam a separar quem vai assessorar de quem só vai tirar preço:

  • Você é registrado na SUSEP? É o requisito básico — dá para confirmar o registro. Sem ele, não é corretor habilitado.
  • Com quantas e quais seguradoras você vai cotar o meu risco, e por quê? A resposta revela se há critério (apetite, força no ramo) ou disparo genérico.
  • Como você vai me apresentar a comparação? Você quer ouvir “coberturas, exclusões, limites e franquias lado a lado, com recomendação”, não “te mando os PDFs”.
  • O que você faz quando eu tiver um sinistro? A resposta mostra se a relação termina na venda ou continua na hora que mais importa.
  • O que você acha que falta ou sobra na minha apólice atual? Um bom corretor tem opinião técnica — e a coragem de dizer, inclusive, que está tudo certo.

Um bom corretor não tem pressa de te fazer assinar. Tem pressa de te fazer entender.

Em resumo

Cotar um seguro com corretor é muito mais do que pedir preço: é um processo em que alguém que representa você — e não a seguradora — traduz o seu risco, consulta o mercado certo, compara coberturas e cláusulas (não só valores), recomenda com fundamento, confere a emissão e fica ao seu lado no sinistro. E, na estrutura brasileira, isso em regra não custa mais caro, porque a corretagem já está na arquitetura do prêmio: com o corretor, você geralmente paga o mesmo e leva assessoria de brinde.

A caixa-preta, aberta, revela algo simples: o preço é a parte fácil da cotação. O difícil — e o que decide se o seguro vai funcionar no dia em que você precisar — é o que está nas cláusulas, nos limites e nas exclusões que ninguém lê sozinho com prazer. É exatamente aí que a assessoria se paga.

Quer ver esse processo funcionando no seu caso? A GVM cota com as principais seguradoras do país e devolve a comparação técnica com uma recomendação fundamentada — não uma pilha de PDFs. Conheça as linhas de seguro que atendemos ou peça a sua cotação: gratuita, sem compromisso e conduzida por quem está do seu lado. Se quiser saber antes com quem você vai falar, a página sobre a GVM Consulting traz o registro na SUSEP, os sócios e como trabalhamos.

Perguntas frequentes

Dúvidas rápidas sobre o tema

Cotar com corretor encarece o seguro?

Em regra, não. A remuneração do corretor (corretagem) já faz parte da estrutura de preço do seguro no Brasil — cotar direto na seguradora não a elimina automaticamente. A diferença prática é que, com o corretor, o mesmo custo compra comparação entre seguradoras, desenho técnico da apólice e condução no sinistro.

O corretor representa o cliente ou a seguradora?

O cliente. O corretor de seguros é um profissional autônomo registrado na SUSEP, cuja função é assessorar quem contrata — não é preposto nem vendedor de uma seguradora específica. Ele consulta o mercado em nome do seu interesse e tem o dever de recomendar a solução adequada ao seu risco.

Quanto tempo leva uma cotação?

Riscos padronizados (a RC profissional de um médico, por exemplo) saem em poucos dias. Riscos empresariais que dependem de mais informações — ou de colocação facultativa no resseguro — levam mais. O maior acelerador é a qualidade das informações: dados completos de uma vez encurtam tudo.

Por que o corretor pede tantas informações?

Porque a proposta é a base legal da apólice. Informação incompleta ou imprecisa gera prêmio errado — e, pior, risco de discussão de cobertura no sinistro. Declarar bem é proteção, não burocracia.

Recebo várias propostas ou só uma?

Depende do risco: o corretor consulta as seguradoras com apetite para o seu perfil e traz as propostas viáveis com uma comparação técnica — coberturas, franquias, limites e exclusões lado a lado, além do preço — e uma recomendação fundamentada.

Qual a diferença de cotar com corretor e comprar direto no site ou app?

No canal direto você compra um produto de prateleira e responde sozinho pelas escolhas — quais coberturas marcar, que limite contratar, como ler as exclusões e como conduzir o sinistro. Com o corretor, alguém que representa o seu interesse compara seguradoras, desenha a apólice para o seu risco e fica ao seu lado quando o seguro precisa ser usado. O custo, em regra, é o mesmo.

O que preciso ter em mãos para pedir uma cotação?

Quem você é (dados de pessoa física, profissional ou empresa), o que quer proteger (atividade, bens, valores em risco, faturamento), o histórico (sinistros anteriores, apólice atual se houver) e o que o motiva (exigência de contrato ou edital, um susto recente, uma renovação chegando). Quanto mais completo, mais precisa e rápida a cotação.

Sou obrigado a fechar depois de cotar?

Não. A cotação com a GVM é gratuita e sem compromisso. Se a melhor decisão for manter a sua apólice atual, é isso que vamos te dizer.

O que é a proposta de seguro, formalmente?

É o documento com as informações do risco e as condições pretendidas que vai à seguradora para aceitação. Com a Lei 15.040/2024, a avaliação do risco tende a se dar por questionário elaborado pela seguradora — cabe a ela perguntar o que considera relevante, o que protege o proponente de boa-fé.

Conteúdo informativo produzido por corretora registrada na SUSEP (nº 222134993); não substitui a leitura das condições gerais da apólice nem orientação jurídica individualizada. Valores e coberturas variam conforme seguradora, perfil e vigência.

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